A crise econômica trazida pelo coronavírus trouxe à tona milhões de brasileiros que eram desconhecidos pelo Governo Federal.
Chamados de invisíveis, estes brasileiros estavam à margem de qualquer proteção social, sendo, inclusive, uma surpresa, pois são mais de 50 milhões de pessoas. São trabalhadores autônomos, informais e desempregados.
Não esperava-se que esse número fosse tão grande, e aliás, o que mais a pandemia do coronavírus mostrou sobre os cidadãos brasileiros?
O que a pandemia revelou sobre os cidadãos brasileiros
Esse expressivo número de desempregados e trabalhadores informais revela uma ferida aberta dentro do nosso país, onde vários trabalhadores e suas famílias estão ao relento, fora dos cadastros do governo, muitos não têm conta em banco, sem acesso regular à internet e nem CPF ativo.
A medida encontrada pelo Governo Federal para ajudar esses cidadãos foi o chamado auxílio-emergencial, no valor de 600,00 (seiscentos reais), em três parcelas para evitar o colapso das famílias brasileiras durante o período de isolamento social.
Essa pandemia está sendo como olhar um reflexo no espelho, mostrando que grande parte da população brasileira não tem a mínima proteção social. Trabalhadores e suas famílias desprotegidas, vivendo como se vivia em tempos medievais, em que o Estado sequer tinha conhecimento da real situação dos seus cidadãos.
O que nos difere, então, daquela época, em que também haviam pandemias, e também cidadãos invisíveis sem qualquer proteção social?
O que a pandemia revelou sobre os cidadãos brasileiros
Entre os períodos medievais e a atualidade, a grande diferença é que temos um Estado Social de Direito, com uma Constituição Federal, que prioriza a proteção social a todos os brasileiros, instituindo uma previdência social a todo o trabalhador.
Infelizmente, na prática, fingimos ter essa proteção social a todos, fingimos ser evoluídos como sociedade.
Com a recente reforma da previdência, onde mais direitos sociais foram retirados, sob o argumento de que havia excesso de proteção, mais desprotegido ficou o cidadão brasileiro e, com isso, uma onda de descrença na previdência e nos direitos sociais jogou ainda mais brasileiros ao relento, ao descaso, para o modo invisível.
Essa pandemia evidenciou, de forma rápida, a fragilidade do trabalhador brasileiro, mostrando a incoerência do discurso da reforma que completa seis meses apenas.
Agora, precisamos saber se após tudo passar serão adotadas medidas para mudar essa realidade ou se continuaremos a fechar os olhos e seguir fingindo que este problema não existe: de milhares de cidadãos brasileiros sem qualquer proteção previdenciária. Pois, se fossem integrantes dos sistemas de registros disponíveis do governo, não seria surpresa a sua existência.
Essa surpresa declarada por parte do governo é a confissão da negligência com os direitos sociais à população.
Mas, enquanto não soubermos ao certo os rumos e providências que serão tomadas daqui para frente, não saberemos se essa pandemia resultará em aperfeiçoamento do sistema, a fim de buscar esses cidadãos invisíveis, para tornarem-se visíveis, ou se caberá ao próprio cidadão invisível, quem sabe, buscar a sua visibilidade, para integrar-se a esse sistema.
Há meios e ferramentas acessíveis a todo o trabalhador brasileiro que devem buscar os programas disponíveis, como o exemplo do microempreendedor individual ou baixa renda.
A pandemia mostrou isso para esses trabalhadores, que talvez nem sabiam dessa condição, mas que já haviam, eventualmente, se deparado com a sua invisibilidade, quando, por exemplo, são impedidos de trabalhar por motivos de doenças ou por idade avançada e não tem nada para substituir essa renda porque não fazem parte do sistema (e sempre foram invisíveis).
Crises, como a atualmente vivida, devem servir para conscientizar o trabalhador e toda a sociedade da importância de se preocupar com o seu futuro, de fazer parte do Sistema, e de estarem amparados pela Seguridade Social do nosso país.


